Sorrisos Quebrados - Sofia Silva

Título: Sorrisos Quebrados (Série Quebrados #1)
Autor: Sofia Silva
Editora: Valentina
Páginas: 232
Classificação: 5/5
Sorrisos Quebrados gira em torno de três personagens: a jovem Paola, a pequena Sol e seu pai, André. Os três são vítimas de violências distintas, que deixaram marcas profundas em cada um. Trata-se de uma história de superação de dores, magia, estrelas e de como importantes laços humanos podem se formar a partir da autoaceitação, da arte e da tolerância no cotidiano.




Se uma coisa esse 2017 me deu, foi aprendizados em forma de livros. Um mais bonito que o outro, mas nada foi tão singelo e puro quanto a história da Paola. Ninguém nunca me preparou para o baque de emoções que eu senti quando prosseguia na leitura e a arte nunca mais será a mesma pra mim depois dessa obra. Nada, na verdade, será a mesma coisa.
"-Às vezes, precisamos olhar para as pessoas com o coração e não com os olhos, pois só assim nós vemos quem realmente são."
Paola possui marcas irreversíveis no seu corpo e na sua alma, cometidas por um relacionamento fracassado com um louco. Isso é o mínimo que podemos defini-lo depois da primeira cena que encontramos no livro. Sempre comedida e comportada, graças às exigências absurdas de seu marido, ela nunca reclamou da sua vida para qualquer pessoa de fora -motivo pelo qual ninguém pôde ajuda-la quando mais precisou. Da mesma forma, também não tinha como conversar com o marido para tentarem resolver a situação: sempre quando isso acontecia, ao invés de progredirem, marcas apareciam em seu corpo e seu semblante triste gritava silenciosamente por socorro. 

No dia em que ela toma coragem para sair de casa afim de mudar de vida, é onde tudo muda. É quando o livro se inicia e as barbaridades do marido são apresentadas e... nojentas? chocantes? absurdas? Não consigo definir. Paola conhece a morte tão de perto naquele momento que passa a ser lembrado, para ela, como o dia em que ela morreu. 

A história, então, engata anos depois com ela em uma clínica, tentando se curar. E a beleza disso é que toda sua dor é transformada em arte. Tudo nessa história é arte, é profundo, é lindo. E, por meio da pintura, é onde ela encontra sua salvação: seu nome é Sol e é uma criança que também paga o preço pelas injustiças e maldades cometidas pelo mundo.

Nós demoramos muito para descobrir o mistério acerca do passado da garotinha e eu posso deixar claro que eu também não estava preparada pra tamanha emoção. O contexto é narrado pelo pai, André, o outro protagonista, o qual criou a filha sozinho desde o começo e também paga pelas escolhas da vida e consequências de tempos atrás.

André e Paola começam a ter um envolvimento bonito, sincero e calmo. Depois de ambos levarem uma vida conturbada, eu senti que a história precisava de um ponto de paz. Na verdade, eles precisavam. Mas será que duas pessoas quebradas conseguem deixar todos os monstros para trás?
"Se ele imagina que me cura com coisas tão simples, não demonstra.
Se ele percebe que eu não me importaria de curá-lo da mesma forma, esconde."
As cenas são descritas com tanta peculiaridade que, para mim, é como se fosse uma obra de arte. Você precisa senti-la e é impossível não venera-la. Sofia Silva nos deu não só um presente inesquecível, mas, em palavras e contextos apaixonantes, deu-nos a sensibilidade por vezes esquecida no cotidiano e trouxe a beleza para aqueles que um dia pensaram que haviam perdido.

Em um mundo tão banalizado com histórias superficiais, a autora nos presenteia com um enredo que penetra no fundo da nossa alma e recupera todas as nossas esperanças. Ela nos dá uma crença em um mundo melhor, colorido e particular, por mais quebrados que estejamos.

Com certeza foi uma das leituras mais impactantes da minha vida porque foi crua. A história estava exposta, as feridas pulando da página e pedindo socorro. No fim, torna-se um marco da literatura por trabalhar temas tão pesados como a violência doméstica, ao mesmo tempo que nos faz relembrar do poder da cura no amor e na arte, essa ultima tão ignorada nos tempos modernos.
"A felicidade brota em mim como uma flor tocada pelos raios de sol."
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Beijos,
Mar!

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