O porquê.

Venho aqui por aqueles que, um dia qualquer, resolvem ser quem não são. Aqueles que possuem a alma tão leve e livre que, de repente, já não são quem costumavam ser. Aqueles que mudam em segundos e, se for preciso, muda de novo no momento seguinte. Os sonhadores que, por algum motivo, estão presos no pior tipo de vida real: aquela que, infelizmente, não podemos controlar.

Mas espera aí.
Podemos sim.
E eu vou dizer porquê.

É dentro do meu ser que pulsa o coração que odeia desacelerar. É dentro de mim que existe essa garota que precisa voar... e é aqui, no cômodo ao lado, que existe a pessoa que corta as minhas exatas asas. Porém, mais do que ninguém, eu sei que devia ser a dona do meu eu. Eu sei que as decisões deviam sair daquele coração que odeia desacelerar, daquela garota que precisa voar. Eu sei, eu sei e eu sei. Mas eu não posso.

Há um tipo de amor, aquele que nós sentimos antes mesmo de nascermos, que é a coisa mais maravilhosa do mundo. Aquele que você daria sua vida para. Mas, não se enganei: ele também destrói. Ele faz com que você repense e decida tomar atitudes para prova-lo, mesmo sabendo que não é necessário. Porque ele está ali... sempre esteve. E sempre, sem sombra de dúvidas, estará.

Mas precisamos ir. Nós precisamos saber para onde o coração quer nos levar, sem tentar entender o real motivo. Acreditar é preciso quando se está à deriva; mesmo que seja dentro da sua casa; mesmo que seja por causa dela.

Ah, mas é tão difícil, não é?
Mas não tem que ser.
Mas é inevitável.
Eu sei.
E eu vou dizer porquê.

Nós amadurecemos. Seja por experiência ou pelo simples tempo que nos foge. O fato é: não somos quem éramos ontem. E, perdoem-me os politizados, mas PORRA, ainda bem. Porém, o mundo cobra quem nós oferecíamos no passado. Cobra aquele amor que não existe da mesma forma; cobra aquela maneira de pensar que nós fomos obrigados a alterar. Ou seja, cobra alguém que não está mais aqui.

NÃO.
está
mais
aqui.

E eu não sinto muito, mesmo.


*Texto escrito no exato momento que foi preciso. Qualquer contradição é consequência do que estou sentindo agora. Talvez mais tarde não faça mais sentido. Ou faça. Não sei.