Bate-papo com o autor: Valeria Schmitt

Oi gente!
Hoje venho com uma abertura de mais uma coluna no blog!
Faz alguns meses que venho tendo ideias de posts e colunas novas no blog. E então.. tive essa ideia!

O primeiro bate-papo do blog vai ser com uma autora nacional que além de tudo, é uma querida amiga a qual tenho grande admiração.Valéria Schmitt autora de Outono, o primeiro livro da saga.
Já tem resenha .Caso queiram conferir, cliquem aqui.
Bom, vamos dar a largada!
As perguntas foram feitas por mim e por alguns blogueiros amigos os quais eu pedi opiniões e ajuda.(Já que esta está sendo a minha primeira vez), vamos conferir?


Para ficarem mais inteiros no assunto, segue a sinopse do primeiro livro para quem ainda não teve a oportunidade de ler:
Foto pega no blog de Livros Românticos
Carolina Jardim é um adolescente que está tranquila e feliz com sua vida e sua escola e não entende por que sua mãe insiste em querer comemorar seu décimo sexto aniversário com uma grande festa, enviando convites a todos os seus colegas e parentes. É claro que a notícia da festa e da popular banda contratada para tocar muda a forma como seus colegas se relacionam com ela, incluindo Bernard, o jovem por quem ela tem uma queda. Durante a festa Carol conhece o lindo, mas enigmático Erick Thatcher, filho de um dos amigos de sua mãe. Ela também conhece uma mulher misteriosa, a venerável Ambrosina. Após todos os convidados de Carol saírem mais cedo e os somente os amigos de sua mãe permanecerem após a meia-noite, houve uma revelação: Eles eram todos bruxos e Carol também recebeu poderes que tinham sido tirados logo após o seu nascimento. Ela também descobre que tem um inimigo a combater e derrotar - Hypollitus - um feiticeiro malvado que quer ter todo o poder para governar. Carol é a única bruxa que pode derrotar esse monstro em uma batalha feroz. Através de sua luta para aceitar seu status diferente e tomar uma decisão sobre a aceitação de sua missão na vida, Carol amadurece deixando de ser uma garota socialmente desajeitada e tímida e se transformando em uma jovem mulher corajosa e forte, que ama intensamente e que encara a sua missão com coragem por causa do amor que ela descobre ter em seu coração por todos aqueles que dependem dela. Será que Carol vai conseguir derrotar Hipollytus e descobrir a verdadeira identidade de Erick no final?

Sem mais delongas, vamos as 15 perguntas:


01 – Para começarmos, conte-nos um pouco sobre você. Quem é Valeria Schmitt?
Sou uma pessoa sincera e normalmente falo o que eu penso, embora não me considere franca, porque franqueza às vezes faz com que as pessoas sofram e acho que toda franqueza tem “um quê” de grosseria que não cabe muito em mim. Eu me considero generosa com as pessoas que me rodeiam, valorizo quem me ajuda e tenho muita gratidão no meu coração. Tenho poucos amigos, mas, são especiais. Amo meus filhos acima de qualquer coisa! Sou do tipo “mãe Leoa” que busca, protege, corre atrás, defende com unhas e garras... Não sou nem um pouco feminista, adoro cozinhar e cuidar de uma casa, mas tenho um lado um pouco intelectual que briga com esse meu lado “mulherzinha”. Coleciono livros (físicos e virtuais), não posso ver um sebo e passo horas numa livraria. Adoro ler e viajar, amo mitologia Grega, Romana e Celta, sou muito mística e acredito em premonições e sonhos. Tenho um lado meio dondoquinha, que não dispensa o salto alto, o perfume e a maquiagem. Por outro lado, amo andar no mato com tênis e malha. Adoro fazenda, ar livre, riachos... Posso dizer que sou uma incógnita, talvez difícil de se entender, mas, para mim, tudo tem uma razão, um motivo. (Risos). Gosto da chuva, do sol, do frio e do calor... Não é difícil me agradar,( risos de novo).

02- O que você quis explorar quando começou a escrever Outono?
Eu quis explorar o Universo adolesc
ente, com todas as suas dúvidas e apreensões, com seus anseios, seus devaneios, seus sonhos e suas controvérsias. Ao mesmo tempo eu busquei ambientar a história em Pitangui, Minas Gerais, cidade onde moro e que está completando 300 anos em 2015. Pitangui, embora seja a sétima Vila do Ouro das Minas Gerais, perdeu grande parte do seu patrimônio material por causa de ambição e da ignorância de algumas pessoas e não é conhecida como as outras cidades históricas mineiras. Com isso, a cidade meio que perdeu sua identidade. Meu sonho é que, lendo a saga OUTONO, jovens do Brasil inteiro se sintam motivados a conhecer a cidade também.


03- Você sempre gostou de histórias com bruxos e personagens sobrenaturais?
Sempre! Eu amava histórias da Carochinha quando era criança, me apaixonei por mitologia Grega aos 9 anos e foi por aí a minha vida toda, amando literatura fantástica e mística.


04- Quais as características principais para construir um mocinho e uma mocinha em sua opinião?
A mocinha de hoje está mudada, não basta a ela ser bonita, gentil e frágil. Ela tem que ser inteligente, forte, corajosa e ser capaz de assumir suas responsabilidades. Hoje ela já não é mais “a vítima de uma bruxa malvada à espera do Príncipe para salvá-la”, ela agora toma as rédeas da situação, enfrenta batalhas e assume o seu papel de protagonista ativa, entende de estratégia e vai à luta.
O mocinho ainda é aquele dos nossos sonhos, porém, com uma dose de sarcasmo, malícia e ironia que o deixa mais encantador. Sem deixar de ser o protetor, o cuidador, é aquele que cuida porque ama. Mas, ele enxerga na mocinha alguém à sua altura. O que mudou é que agora, sozinho, ele não faz nada, ele precisa da ajuda dela não só para viver o grande amor, mas, para vencer o mal também. Os dois, mocinho e mocinha são parceiros em tudo. Tem até uma postagem que eu fiz há algum tempo no meu blog sobre o quão é difícil ser “Principe Encantado” nos dias de hoje, com as “princesas” mostrando as garrinhas e se tornando mais exigentes. http://valeriaschmitt.blogspot.com.br/2013/07/a-volta-do-principe-encantado.html


05- Falando um pouco sobre Erick: Em que (ou quem) você se inspirou para cria-lo?
(Risos) Erick é tudo aquilo que eu sonhei para mim em um homem, acho que por isso que ele é tão perfeito! (risos novamente)
Ele existe na minha cabeça, nasceu das minhas ideias, tal qual Atena nasceu da cabeça de Zeus
.


06- Falando um pouco sobre Carol: Quais os pontos fundamentais que você usou para cria-la?
Como eu te falei, no início ela era aquela menina chata, feia, complexada e bem idiota. A ideia era justamente faze-la crescer no decorrer da história para que as pessoas pudessem ver a sua transformação e pudessem passar a admira-la pela sua capacidade de enfrentar o mundo e as adversidades. Ela descobriu seu papel na sua vida, no seu mundo, na sua cidade e na comunidade bruxa. E descobriu seu papel também no amor. É assim que nós todos devemos ser. Há uma hora em que a criança tem que crescer, assumir sua posição perante a vida. Isso vai continuar acontecendo no decorrer da Saga.

07- O que você gostou mais em Outono?
Outono é um livro de literatura fantástica, em tudo é possível. É você criar e escrever, sem se preocupar “se pode ou não”. É a minha história, sem preocupação com provar nada: Você pode voar, desaparecer, levitar, se transformar e, por que não? Sonhar... Pois, quem não gostaria de ser bruxa nem que seja por um pouquinho de tempo? Eu também me apaixonei pelo Erick, ele é simplesmente o cara perfeito. Fiquei meio brava com algumas reações da Carol no início do livro, mas, depois, quando ela foi crescendo e assumindo uma postura mais forte, eu passei a admira-la. O que eu mais gostei em Outono foi justamente “o fantástico”, a falta de limites, o “poder fazer tudo”.

08- Bom, agora conte para quem ainda não leu um pouco da sua obra.
Outono é um livro ambientado em uma típica cidade do interior de Minas, que conta a história de uma adolescente como qualquer outra de 16 anos, Carolina Jardim. Carol tenta levar uma vida normal, ao lado de sua amiga Sissi e procura se manter invisível, cultivando uma paixão platônica por uma cara do último ano da escola. Ela é uma adolescente que está tranquila e feliz com sua vida e sua e não entende por que sua mãe insiste em querer comemorar seu décimo sexto aniversário com uma grande festa, enviando convites a todos os seus colegas e parentes.

É claro que a notícia da festa e da popular banda contratada para tocar muda a forma como seus colegas se relacionam com ela na escola, incluindo Bernard, o jovem por quem ela tem uma queda. Durante a festa Carol conhece o lindo, mas enigmático Erick Tatcher, filho de um dos amigos de sua mãe. Ela também conhece uma mulher misteriosa, a venerável Ambrosina.

Depois da meia-noite, todos os convidados de Carol foram embora e somente os amigos de sua mãe permanecerem, então houve uma revelação: Eles eram todos bruxos! Carol também era uma bruxa de imensurável poder que lhe tinha sido tirado logo após o seu nascimento.

Ela também descobre que tem um poderoso inimigo a combater e derrotar - Hypollitus - um feiticeiro malvado capaz de tudo para conseguir mais Poder. E Carol é a única bruxa que pode derrotar esse monstro em uma batalha feroz.

Através de sua luta para aceitar seu status diferente e tomar uma decisão sobre a aceitação de sua missão na vida, Carol amadurece deixando de ser uma garota socialmente desajeitada e tímida e se transformando em uma jovem mulher corajosa e forte, que ama intensamente e que encara a sua missão com coragem por causa do amor que ela descobre ter em seu coração por todos aqueles que dependem dela.

E assim eu espero que seus leitores sintam vontade de saber mais sobre a história, Marcela.



09- Já fiquei sabendo que Outono terá continuação... Inverno. O que nós devemos esperar deste novo livro?
Estou sendo repetitivas, mas, a Carol já está amadurecida, ela não é mais uma garotinha frágil, muito pelo contrário, então ela vai ser testada em sua coragem e sua força. Vai ser testada também, principalmente, no seu amor. Ela se descobrirá sozinha e terá que enfrentar seus próprios medos... Mais, não posso falar, (risos)

10- Sabemos que o apoio e a motivação são sempre muito importantes. O que te motivou a escrever Outono e agora, Inverno?
O desejo de todo escritor é ser lido. Não se pode dizer que se escreve só para si. Um escritor sem leitores é uma artista sem público... Triste. Outono foi escrito pela vontade de me expressar, de falar, de criar um universo só meu, mas, Inverno só pôde ser escrito por causa do apoio de vocês, leitores e parceiros que leram e apreciaram Outono, pedindo a continuação, que estava prevista, claro, mas, talvez eu não me sentisse capaz de escreve-la se não fosse a aceitação de vocês, o carinho e o apoio.

11- Quais são suas dicas para quem quer entrar no mundo dos Autores Nacionais?
Persistência, dedicação, amor ao que se faz e acima de tudo, não desistir perante aos inúmeros “nãos”, porque isso faz parte do caminho de pedras de 99 % dos autores, exceto daqueles que já vê apadrinhados, seja por uma profissão de destaque na mídia ou seja por um nome de família. Não desistir, teimar e sair mostrando a sua obra ao público sem medo das críticas, porque o importante é ser conhecido e comentado.

12- Você conseguiu se identificar com seus personagens?
Sim, a Carol tem um pouco de mim, não no início, mas, do meio em diante, quando ela se fortalece. Eu me identifiquei um pouco com a mãe dela também em alguns aspectos.

13- Qual é a sua fonte de inspiração?
O cotidiano, minhas experiências, minhas leituras, tudo o que eu encontro, vivo, leio, assisto serve de inspiração.

14- O habito de leitura sempre fez parte da sua vida?
Sempre! Eu aprendi a ler precocemente, aos 3 anos e nunca mais parei. Nós viajávamos somente nas férias de janeiro, então eu passava as férias de julho trancada na biblioteca de casa lendo, lendo, lendo...

15- Para finalizarmos, qual o recadinho que você gostaria de deixar para os leitores sobre suas obras?
Eu escrevo com muito amor, pensando no leitor, no que ele vai achar, se vai gostar, se vai se identificar... Então, gostaria de agradecer a retribuição desse sentimento, pois, eu sinto um carinho enorme da parte dos leitores, blogueiros e pessoas que nem me conhecem pessoalmente, mas, chegam até mim pelas minhas obras, pois, sempre tem um pedacinho de gente em tudo o que a gente faz. Quero dizer a cada um dos leitores que eu espero que eu consiga chegar aos corações de cada um e que faço votos que eles se apaixonem pela Carol e pelo Erick como eu me apaixonei.

Obrigada por tudo querida Marcela. Beijos.

Olhe o que temos aqui..... SINOPSE DE INVERNO MINHA GENTE!!
Carol Jardim já se adaptou à sua nova vida de bruxa! No lugar da menina dependente e insegura surgiu uma jovem mulher corajosa, cujo semblante nada tem de indefesa. Após o sumiço de Hypollitus, seu principal inimigo, ela se sente preparada para viver a plenitude do amor ao lado de Erick e aproveitar a companhia de seus amigos, Bernardo e Sissi.
O destino, porém, lhe traz uma surpresa brusca e cruel, com a morte de seu pai e os súbitos desaparecimentos de Erick e Sissi.
Mais tarde, no mesmo momento em que toma consciência de que deverá enfrentar a batalha vital contra Hypollitus sozinha, ela se depara com uma insólita situação ao perceber que Bernardo passou uma intrigante e inexplicável transformação. Ao mesmo tempo, seu grande amor, Erick, retorna estranhamente alterado.
Sem ninguém para ajudá-la, no mais negro Inverno de sua vida, ela se encontra numa terrível encruzilhada, devendo decidir qual caminho seguir: Salvar Erick, ajudar Bernardo ou destruir Hypollitus.
E para os ansiosos, segue direto do forno, o primeiro capítulo do segundo livro da saga Outono, que agora será Inverno *-*


Inverno
Capítulo 1 -
Nem tudo é o que parece
Bem, eu estava ótima! Sentia-me tão bem que, para dizer a verdade, nem parecia que há pouco mais de um ano estive à beira da morte! Erick me ajudou muito, ele se tornou o namorado perfeito e eu às vezes fico pensando que nem mereço tanta felicidade.
Minha família também estava bem. Meus pais pareciam estar se sentindo mais seguros, bem como todos os outros bruxos da comunidade: Meus tios e primos, Methe e sua família e também Ambrosina. Sim! Bruxos existem e estão espalhados por todo o mundo, inclusive aqui em Pitangui, onde moro, uma cidadezinha linda e tranquila do interior de Minas Gerais.
No ano passado os bruxos do mundo inteiro foram ameaçados por um feiticeiro terrivelmente sinistro e perverso que fez de tudo para me matar para conseguir para si o “Grande Poder” e assim dominar toda comunidade bruxa que vive na atualidade.
Nunca mais ouvimos falar de Hypolitus, esse é o seu nome, ou, como prefiro colocar, era. Ao que parece, o combate épico que eu e Hypollitus enfrentamos no Outono do ano passado o deixou fora de circulação. Nós esperávamos que ele aparecesse assim que se recuperasse _ nunca pensamos que ele fosse sumir de vez depois de ter me perseguido durante dezesseis anos _ mas, como ele não demonstrou estar vivo no último ano, tudo o que pudemos deduzir é que, muito embora bruxos não sejam fáceis de se matar, eu o destruí, apesar de quase ter morrido também.
Sissi e Bernardo continuam namorando e eu estou conseguindo me acostumar com o fato de ter me tornado “famosa” na escola, graças à minha festa de dezesseis anos que minha mãe insistiu em comemorar em alto estilo no ano passado. Esse foi o começo de tudo, foi quando toda a escola começou a prestar atenção em mim e novos “amigos” começaram a aparecer. Antes disso, ninguém, exceto Sissi, prestava a menor atenção em mim porque eu não passava de uma menina, triste, feia e sem graça.
Eu era extremamente tímida, usava um par de óculos horrorosos e vivia me escondendo, mas, com essa festa tudo mudou, inclusive eu comecei a namorar o Bernardo, o mesmo que agora namora minha melhor amiga Sissi. Parece estranho, mas, tudo bem, isso não passou de um engano e é uma longa história. Nessa época, Erick apareceu na minha vida e me conquistou para sempre.

O dia da festa também foi quando eu descobri que era uma bruxa poderosíssima e que Hypollitus queria a minha cabeça. Mais tarde eu também fiquei sabendo que estava predestinada a me tornar a Grande Mestra dos bruxos e que era a única bruxa capaz de derrotar Hypollitus. E foi aí que, como se estivesse caminhando para a morte certa, eu fui enfrentá-lo... Eu fiquei tão machucada nessa luta insana que travei com ele que estive desacordada por muitos dias. Perdi muito sangue e travei uma batalha feroz com a morte. Mas... Eu consegui! Forte e feliz, desfrutei bastante a minha nova vida de bruxa e passei o ano mais feliz da minha existência ao lado de Erick.
Sem nenhum problema com Hypollitus, eu pude chegar ao final do ano letivo com boas notas e tanto eu quanto todos os meus colegas mais próximos passamos para o terceiro e último ano do segundo grau! Depois de passar tranquilíssimas férias de fim de ano, em fevereiro voltamos à escola para o melhor ano escolar de todos os tempos, afinal, em dezembro seria formatura, nós éramos veteranos e, depois de um período de muitas festas e comemorações, no ano seguinte iríamos todos para a Faculdade!
Erick continua na minha sala porque embora eu, teoricamente, não precise mais da proteção dele, ainda resta um resquício de dúvida sobre o estranho sumiço de Hypollitus. Bernardo está cursando Engenharia Química na UFMG em Belo Horizonte e vem para Pitangui todos os fins de semana, apesar de Sissi não se conformar em ficar longe dele de segunda à sexta.
Bem, eu disse que estava sendo feliz... E eu estava mesmo, até a noite de 23 de junho, bem no início do inverno... Naquela noite eu estava me arrumando para sair com Erick, Sissi e Bernardo. Depois de terem se estranhado no último ano por minha causa, Bernardo e Erick já poderiam se considerar quase amigos. Isso somente aconteceu quando ele e Sissi começaram a namorar, depois de Hypollitus tê-los envolvido no rapto dos meus avós (quando eu fui atrás dele e nós lutamos), fazendo com que eles ficassem sabendo do nosso segredo de bruxos. Mas, eles souberam se comportar bem como fiéis do segredo e se tornaram grandes aliados nossos.
Depois de passar muito tempo decidindo qual roupa deveria usar, acabei vestindo uma calça preta e uma jaqueta vermelha de lã por cima de uma blusa branca, porque o friozinho do inverno já estava se anunciando na cidade montanhosa. Completei o look com um cachecol xadrez e desci as escadas. É claro, eu não preciso descer nem subir escadas, pois, como bruxa, eu posso desaparecer e aparecer onde quero, mas, eu gosto de viver mais ou menos dentro da normalidade. Na escola também eu preciso esconder a minha condição de bruxa, então, ainda que eu agora tenha todos os meus poderes sob o mais absoluto controle e tenha desenvolvido no mais alto potencial todas as minhas habilidades, eu ainda prefiro viver como uma humana normal.
Erick sempre aparecia teatralmente na minha casa. Além de bruxo, ele tem uma peculiaridade herdada do pai dele, que o faz ser diferente de mim. Ele é quase tão poderoso quanto eu, mas, é muitíssimo mais forte e veloz e isso faz dele o guardião perfeito. Sem contar que Hypollitus não sabia, ou não sabe, dessa característica familiar dele, o que corroborou a escolha dele como meu “guarda-costas”.
A família de Methe também tem sua particularidade, muito estranha, por sinal. Eles quase me mataram de susto quando se transformaram na sala da minha casa no dia em que Hypollitus raptou meus avós e eu fui encontrá-lo, mas, foram de extrema valia para todos nós.
Eu estava absorta, lembrando dos acontecimentos passados quando senti os braços de Erick ao meu redor, num doce abarcamento. Numa felicidade incomum, deitei minha cabeça em seu peito e, no instante seguinte, ele já havia me virado de frente para ele, cobrindo minha boca com a sua, num beijo louco e apaixonado. Ah! Eu nunca iria me acostumar com aquela sensação. Mesmo depois de um ano, meus joelhos ainda tremiam quando ele me abraçava e eu sentia choques elétricos quando ele me encostava sem querer.
_ Você está muito linda! _ Apesar da frase comum, eu me senti satisfeita por ele ter gostado.
_ Obrigada! _ respondi simplesmente, bebendo a voracidade que eu podia enxergar em seus olhos. Isso estava me deixando louca. Um ano juntos e ele se mantinha castamente afastado de mim, jamais ultrapassando limites que ele próprio havia colocado.
Ainda que eu sentisse toda a sua paixão e não duvidasse do seu amor por mim, eu me sentia muito frustrada e infeliz às vezes. Preciso deixar bem claro que esses limites são apenas dele, que tem um absurdo senso de dever com não sei o quê e apresenta um autocontrole fora do comum.
Não demorou muito e Sissi chegou com Bernardo. Eles e Erick conversaram um pouco com meus pais e depois nós saímos e fomos ao Contemporâneo, um bar muito animado de Pitangui onde todo mundo se encontra. A noite foi alegre, encontramos muitos amigos por lá e pudemos rever também o pessoal que está estudando fora. Desde que nossos amigos se formaram e foram morar fora, os fins de semana ficaram bem mais interessantes porque nós os encontrávamos.
Quando voltamos para casa já passava da meia-noite. Eu estava cansada, mas, feliz, porque eu sabia que Erick não iria embora. Desde que eu me descobri bruxa, com o possível ataque de Hypollitus à minha pessoa, ele passava todas as noites comigo. No início eu não sabia disso e houve um tempo em que nós dois sofremos muito por causa de desencontros e desconfianças. Ele ficava invisível no meu quarto, tomando conta de mim, mas, agora que estávamos bem e felizes, eu adormecia todas as noites nos braços dele.
Naquela noite não foi diferente. Chegamos em casa e nos encontramos com meu pai e minha mãe. Era impressionante a confiança que meus pais depositavam em Erick. Acho que vinha daí o seu autocontrole, ele não queria decepcionar meus pais. Bom, eu já tenho dezessete anos, Erick está com dezenove e a gente já tem mais de um ano de namoro, mas, enfim, eu não posso fazer nada.
Depois de nos despedirmos de meus pais, nós fomos para o meu quarto. Isso acontecia todas as noites, mas, mesmo assim, um frio bateu dentro do meu peito. Meu coração deu um disparo e eu amoleci quando ele fechou a porta com o pé e me puxou para mais perto dele, enlaçando meu corpo. Nós estávamos totalmente juntos, coxa com coxa, boca com boca, língua com língua. Meu Deus! Aquilo era muito bom! Eu sentia as mãos dele na minha nuca, nos meus cabelos e depois segurando forte o meu rosto. Minhas mãos queriam segurá-lo inteiramente, ao mesmo tempo.
O que eu queria, segurando-o daquela maneira, era apagar o fogo dentro de mim, mas, ao contrário, as chamas só aumentavam, me queimando por dentro! O calor em meu peito chegava a doer, enquanto as mãos de Erick subiam em toda a extensão do meu corpo, me machucando de desejo. Sua boca estava mais exigente, meu fôlego estava quase no fim, nossa respiração era entrecortada e os gemidos saíam da minha garganta sem que eu pudesse segurá-los. Abruptamente, sem nada dizer, ele se afastou, colocando uma distância leve entre nós e respirando com dificuldade. Meu olhar de frustração deve tê-lo chocado, porque ele me pegou com suavidade e me deu um beijo carinhoso no alto da cabeça. Depois ele soltou os braços ao longo do corpo e abaixou a cabeça num gesto claro de derrota, e, colocando um pé na porta, me empurrou de leve.
_ Vá se trocar, Carol, está tarde e você precisa dormir.
Muda, eu me virei e fui para o banheiro vestir meu pijama. Fechei a porta atrás de mim e me encostei nela, me permitindo escorregar até o chão. Minha respiração estava longe de parecer normal e eu me perguntava como Erick havia conseguido me afastar. Droga! Eu bati os punhos no chão e deixei as lágrimas de raiva e frustração tomarem conta de mim. Só muito tempo depois foi que eu me troquei e saí do banheiro.
Encontrei Erick na mesma posição, como se o tempo não tivesse passado. Ele levantou a cabeça e me olhou, a dor refletindo em seus olhos negros. Onde estava a nossa felicidade de antes? Nós parecíamos inteiramente enlevados durante todo aquele ano. Claro, era difícil o autocontrole, principalmente para mim, mas, a gente levava bem a situação... Agora havíamos chegado num impasse cruel.
Eu me sentei na cama e Erick se aproximou. Eu me levantei e o abracei. Ele continuou com os braços ao longo do corpo. Eu segurei seu rosto e dei-lhe um longo beijo na face perfeita. Ele fechou os olhos e suspirou fundo. Então ele passou os braços em torno da minha cintura enquanto eu me afastava só um pouquinho. Nossos rostos ficaram a poucos centímetros de distância. Devagar, nossas bocas se encontraram num beijo profundo e doído. Era corpo com corpo e o coração pulava dentro do meu peito em disparada. Ele se afastou de mim, me olhando com frustração. Eu peguei a sua mão e a coloquei sobre o meu peito, enquanto meu coração batia com mais intensidade.
Sem nada dizer, ele se estendeu ao meu lado e me puxou para perto de si, deitando minha cabeça em seu peito. Começou a enrolar o meu cabelo, como ele fazia todas as noites, como se tivéssemos tido uma noite perfeitamente normal. Eu sabia que não iria dormir, mas, ele não estava disposto a conversar.

Eu estava em um cemitério... Não era um cemitério conhecido e tampouco era em Pitangui. Um portão enorme de ferro batido preto, antigo e assustador estava meio aberto à minha frente. Morrendo de medo eu entrei enquanto o frio da noite me invadia. A neblina estava alta, mas, mesmo assim eu pude ver as folhas secas que se espalhavam pelo chão e árvores desfolhadas que levantavam seus galhos sinistros para o alto. A lua branca e cheia brilhava no céu, iluminando tudo à minha volta.
Eu continuei caminhando para frente, sem saber para onde estava indo e sequer o que iria encontrar ali. Silvos altos, piados, barulhos de folhas pisadas, tudo isso contribuía para que a atmosfera parecesse um filme de terror. Uma coisa gelada passou rente ao meu braço direito, me fazendo soltar um grito de pavor. Eu me arrepiei e abri as mãos na minha frente em sinal de defesa.
O que eu estava fazendo ali? Por que aquela sensação de solidão e desespero? Os túmulos se erguiam à minha frente, numa procissão fúnebre e agourenta. As silhuetas de anjos quebrados pareciam mais pavorosas à luz branca daquela lua funesta. Eu queria ir embora dali, mas, meus pés me impulsionavam para frente. Eu queria gritar, mas, minha voz se recusava a sair. Continuei andando, escorreguei, caí e vi que havia uma lápide à minha frente. Eu olhei fixamente para ler o nome que estava escrito lá.

Albano Jardim
· 11 de Abril de 1970
· 24 de Junho de 2013
Descanse em paz!
Saudades de sua esposa
e de sua filha!

Eu acordei com meu próprio grito!
_ Nãããããããoooooo!!!!!!!!!
Com o coração disparado, eu me sentei na cama. Era manhã do dia vinte e quatro de junho. Não! Meu pai não! NÃO! NÃO! Erick precisava me ajudar a salvar meu pai. Eu olhei para o lado procurando por Erick. Ao meu lado, a cama estava vazia. Erick havia sumido.


Valeria,
Obrigada pela oportunidade de parceria e por aceitar a participar do bate-papo. Gosto muito de seu trabalho e de você como pessoa.
Possuo uma grande admiração e um grande carinho por você até porque, você foi a primeira parceria do Cantinho.
Sucesso sempre, você merece tudo de bom! 

Bom gente, o que acharam??
Gostaram da nova coluna do blog? *-* Espero que sim!
Futuramente vem muito mais <3
E para quem ainda não leu Outono, CORRA!!!!!!!
Ponto de vendas:
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Beijos,
Marcela.


24 comentários

  1. Marcela querida, já nem tenho mais palavras pra te dizer o quanto você é especial pra mim. Beijo enorme cheio de carinho e desejando a você tudo o que há de mais precioso!

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    1. Oi Valéria!
      Muito obrigada, você é realmente muito especial, que você tenha muito sucesso na sua vida!!
      Beijos.

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  2. É sempre bom ver entrevistas com os autores, principalmente os nacionais, acho que podemos ver mais a fundo a história e descobrir que nada é tão simples quanto parece.
    Gostei bastante dessa entrevista, meus parabéns Mar ^^
    Fiquei bastante curiosa com a obra da autora.
    Beijos!
    http://btocadoslivrom.blogspot.com.br/

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    1. Oii Baabs!
      Também sempre gostei de ver este tipo de post, acho que esse foi meu maior incentivo!
      Obrigada!!
      Outono é um máximo!
      Beijos.

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  3. Já tem um tempo que eu estou querendo ler esse livro, amei conhecer mais da autora. Principalmente em saber que ela é fã de mitologia grega :)
    Bem bacana essa coluna do blog. Amei!
    bjs
    http://letrasdanana.blogspot.com.br/

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    1. Oii Mari!!
      Leia Outono sim, você vai adorar!!
      Obrigada pelo carinho,
      beijos.

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  4. Acredito que os melhores livros tem como inspiração a vida cotidiana. É a arte imitando a vida! Adorei a entrevista, nem parece que é a primeira!

    memorias-de-leitura.blogspot.com

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    1. Oi Gabriela!!
      Eu também acredito nisso!
      Obrigada pelo carinho,
      Beijos.

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  5. Olá Marcela!
    Adorei a entrevista! A autora parece ser muito simpática e inteligente :)
    Gostaria de ler o livro, me interessei muito depois dessa entrevista.
    Parabéns :)
    Beijos,
    Ana M.
    http://addictiononbooks.blogspot.com.br/

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    1. Oi Ana!
      Obrigada!
      A Valéria é um máximo!!
      Leia sim!
      Obrigada,
      Beijos.

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  6. Oi, Marcela.
    Que legal essa coluna do blog.
    Que legal o livro, gostei muito da sinopse, essa coisa de misturar adolescência, com bruxas, parece ser uma coisa bem legal.

    Até mais,
    Italo.

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    1. Oii Ita!!
      Obrigada!
      É uma ideia muito legal mesmo. Eu particularmente, estou começando a entrar neste mundo, agora!
      Beijos.

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  7. Oi querida!

    Muito legal a entrevista, show essa coluna! A autora parece super simpática, já me encantei por saber que ela curte mitologia grega!

    Um beijo
    http://escolhasliterarias.blogspot.com.br/

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    1. Oii Amanda!
      Obrigada pelo carinho.
      Ela é um máximo mesmo.
      Beijos.

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  8. Oi MAAAAAAAAR adoro essas colunas que dá a oportunidade de nós conhecermos nossos autores nacionais né?!
    Adoreiii !!
    Parabéns
    beijos

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    1. Oi Pauloooooooooooooooo! kkkkkkkkkkkk
      Sim, o intuito é este mesmo!
      Obrigada,
      beijos.

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  9. Muito legal o bate papo com a Valéria gosto muito dele, e super curiosa para ler o livro dela!
    Sucesso sempre!
    bjkas

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    1. Oi Dani!
      O livro dela é maravilhoso, assim como ela é em pessoa!
      Obrigada,
      beijos.

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  10. Oi Marcela,
    adorei a nova coluna do blog. Sempre é bom conhecermos um pouco mais dos autores, ainda mais se forem nacionais. Não conhecia a autora e nem a sua obra ainda, mas me encantei pela simpatia da Valéria e já coloquei Outono nos meus desejados.

    Beijos
    www.booksandmovies.com.br/

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    1. Oi Jessica!!
      Obrigada !!
      Com certeza, é uma maneira até descontraída de levar o leitor até a obra!
      Que bom que gostou.
      Outono é um máximo, assim como a autora!
      Beijos.

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  11. Oi Ma!
    Parabéns pelo post, amei as suas perguntas e ainda mais as respostas da autora. Muito simpática e sincera!

    Que venham mais bate-papo por ai!

    Beijocas da Deebs
    http://leitorsagaz.blogspot.com.br

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    1. Oii Deeebs!
      Obrigada!
      Ela é super simpática mesmo.
      Obrigada pelo apoio, fico feliz por saber que posso contar com amigos especias como vocês!
      Beijos.

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  12. É muito bom conhecer um pouco mais sobre os autores brasileiros.

    Adorei o blog!
    Estou seguindo.

    Ficarei feliz com uma visita sua ao meu blog!
    www.meuslivrosesonhos.blogspot.com.br

    Um abraço!

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